Fundação de Cotia

A História e a Anti-história - II

 

J. Jorge Peralta

 

Se quisermos amordaçar a voz da história, as pedras falarão pelos que tentamos silenciar.

 

1. Cotia marca sua Identidade

Cotia é hoje um Município pujante, fadado para o desenvolvimento econômico, cultural e social, com qualidade de vida. Rico em recursos e em história, Cotia vai aos poucos definindo sua própria identidade, no contexto do país e do mundo.

Cotia tem pessoas de alto nível sócio-cultural e tem uma das mais fortes Instituições de Ensino Superior do Oeste, a EUROPAN. Tem uma ampla rede educacional, em nível público e particular, e tem empresas de primeira linha.

Cotia, apesar dos percalços, abriga uma plêiade de pessoas de alto nível intelectual e humano que buscam criar um ambiente propício ao desenvolvimento sustentável.

Cotia, como todo o oeste, detém um respeitável patrimônio natural, histórico e moral que precisam ser conhecidos, cultivados e preservados.

A história de Cotia e Região foi feita por pessoas e instituições que nos precederam. É fruto de muita dedicação e pensamento estratégico. As pessoas, através dos séculos, aqui vieram e aqui se instalaram, para viver, conviver e progredir. Índios e mamelucos fazem parte desta história. Não temos que inventar mas pesquisar e escrever nossa História.

No ano da comemoração dos 150 anos de autonomia, há um movimento muito saudável de buscar as raízes de Cotia, refletindo sobre sua identidade. Disto tratamos aqui. Trazemos aqui nossa contribuição ao tema em pauta: quem fundou Cotia? Quando?

Apenas queremos contribuir para que a questão seja esclarecida plenamente, sem cartas marcadas.

 

 2. Marco histórico em questão

 A população de Cotia vem acompanhando, com certa inquietação, o “movimento” (1) para que seja descartada a data 08 de setembro de 1620, como o marco histórico da fundação de Cotia, e adotada a data de 12 de outubro 1580. Mais do que uma nova data, é um ato de exclusão: pretende-se descartar Fernão Dias Pais com argumentos artificiais. É uma atitude revisionista, sem sentido e sem base. A quem interessa e por quê?

De fato, a doação da sesmaria, em 12/10/1580, não prosperou por ser comprovadamente inviável e insustentável. Não foi fruto de uma reflexão e estudo prévio. Ainda que fosse ato efetivo, não tem nada a ver com Cotia. Em lugar nenhum é citado o nome Cotia.

Além disto, é sabido que a doação nunca pôde ser efetivada por não haver como demarcá-la. Tentaram mas não foi possível. Isto é fato. Todos sabem ou deveriam saber, que assim foi. Não há como manipular esta realidade.

A sesmaria foi assumida pelo Bandeirante Afonso Sardinha, em novas condições. Este sim, criou a Aldeia de Carapicuíba, em 1603. Ponto. Não há o que discutir. A sesmaria foi-lhe cedida legalmente e, segundo consta, sem contestações. Isto também ainda não tem nada a ver com Cotia. Cotia é outra história.

Setembro de 1620 marca a fundação cristã do povoado. Isto é fato a ser respeitado. É incontestável. Sem preconceitos, sem discriminações e sem autoritarismos sempre detestáveis e até abomináveis.

Os argumentos da nova proposta são insustentáveis. Um aluno do 4º ano do Ensino Básico teria nota zero numa interpretação de texto com o resultado proposto. São argumentos rudimentares.

Esta questão é uma oportunidade para colocar as idéias no seu lugar. Até porque sempre haverá muitas idéias fora de lugar. Superados os equívocos, todos podemos sair mais enriquecidos. Vamos comemorar juntos. Repetem-se por aqui argumentos surrados e há muito superados, orquestrados com fins deletérios que nada contribuem nem constroem. Apenas degradam a imagem da nossa nação. A nação não merece tais atitudes.

O nível cultural de Cotia não admite impor idéias vazias no “rolo compressor”, eivado de preconceitos. Cotia rejeita posicionamentos deste nível. Aliás, este capítulo da História de Cotia ainda está por escrever.

Só por isto me dispus a abordar o tema: por sua importância para a nossa cultura e para o nosso povo.

Na era do conhecimento precisamos ser bem informados.

 

3. Dirimindo equívocos

O site (sítio) oficial de Cotia, numa atitude insólita, impensada ou apressada, já adotou a nova data (?!!). Com que autoridade alguém tomou tal atitude?! Simples descuido. Não se brinca com a história de uma cidade como Cotia. Esta merece mais respeito. História não é feita com achismos nem com atitudes precipitadas discriminatórias ou preconceituosas.

Por estranho que pareça, à falta de provas, o “site” de Cotia já está sendo citado como documento (?!!).

Pelos dados de que disponho, esta proposta revisionista é insustentável e insensata. Não tem base histórica, nem documental e nem de fato. A proposta deve ser descartada. Antes deve ser analisada criteriosamente e sem preconceitos. Esta não é uma questão de opinião mas de documentação e fatos.

As pessoas que levantam a bandeira do dia “12 de outubro” são dignas de respeito, pelo zelo que demonstram e sempre dedicaram a Cotia. No entanto, os documentos e análises devem ser expostas com clareza e lealdade. Não se faz história com “trator” desgovernado. O povo não é bobo. Vamos publicar os documentos. Todos. Vamos pôr tudo em cima da mesa. Às claras. Depois ver o que dizem de fato. Aliás, essa é uma questão muito, muito simples. Basicamente é “interpretação de texto”.

 

4. O mérito de Fernão Dias

A questão precisa ser esclarecida com total transparência e amor à verdade dos fatos e dos documentos. Afirmar que a data histórica que marca a fundação de Cotia, como povoado, é setembro de 1620 ou outubro de 1580, não é fato irrelevante, em termos cívicos. Apenas 40 anos separam uma data da outra. Que fosse um ano ou um dia, tanto faz. É preciso ser fiel à verdade. “A César o que é de César”. Não podemos usurpar mérito de quem os conquistou. Aqui os créditos históricos são de Fernão Dias.

A data de 08 de setembro faz parte do patrimônio moral e cívico de Cotia. Não podemos dilapidá-lo.

Respeitemos ou não os feitos do Sr. Fernão Dias Pais, ele foi e é um dos homens mais importantes deste país, do tumultuado e heróico séc. XVII. Foi o fundador da Cotia moderna e cristã, em 1620. Isto é fato. Excluir seu nome deste feito é fraude histórica. Chega de tanta exclusão! Fernão Dias Pais foi, efetivamente, um homem de muita grandeza. Muitas cidades gostariam de ter um fundador deste quilate.

Fernão Dias faz parte de nosso patrimônio moral e cívico. É uma das reservas morais do nosso país. Digam o que disserem seus detratores, comodamente sentados em espaços confortáveis, enquanto o nosso Bandeirante passou grande parte de sua vida abrindo novos caminhos pela selva inóspita e rude.

Ainda que alguém possa discordar, Fernão Dias Pais é um dos nomes mais notáveis na história do Brasil. Foi um empreendedor capaz e eficiente. Foi ousado, destemido, decidido e dedicado. Foi um homem digno que deu sua vida pelo seu país. Deu a vida por seu ideal. Passou muitos anos pelo sertão inóspito e desconhecido, vivendo nas florestas, sem comodidades, nem regalias, nem garantias, somente para servir ao seu país. Morreu em plena selva, abrindo caminhos para viabilizar o desenvolvimento do Brasil e para melhorar a vida de seu povo. Deixou viúva e filhos. É preciso fazer-lhe justiça.

Nós, hoje, nos beneficiamos da ação deste homem e de muitos outros de similar envergadura.

Todos devemos tirar o chapéu a este homem e não querer atirar-lhe pedras ou tirar-lhe os méritos. Alguém faria esta asneira, impunemente?! Seria descabido e indigno que alguém quisesse assumir tão arriscada aventura. Precisaria ter muita baixeza de caráter. Nós afirmamos categoricamente e sem rodeios: 12 de outubro de 1580 não tem nada a ver com Cotia. Ponto. Provas? Não faltam. A questão é artificial. Basta saber “ler” os textos. É elementar.

Propõe-se rever a história nos livros escolares, propondo 12 de outubro como data de Cotia. Nossos professores precisam de mais informações e mais conhecimentos, sim. Mais desinformações, não. Trocar Fernão Dias pelo nada seria atitude atroz e impensável para um educador consciente.

Além do mais, Fernão Dias é um personagem da nossa história que é capaz de despertar o espírito de cidadania, generosidade, trabalho e amor à pátria, de que a escola está tão carente. Há muito a melhorar no trabalho escolar, mas não temos direito de atrapalhar, com idéias descabidas. (continua)

 

Fundação de Cotia

A História e a Anti-história - III

J. Jorge Peralta

Preservar e cultivar os valores de sua terra

é uma obrigação cívica de todo o cidadão.

No estudo anterior, procuramos alinhavar argumentos para demonstrar a inconsistência dos textos que propõem troca da data de fundação de Cotia, primitiva aldeia, de 8 de setembro de 1620, para 12 de outubro de 1580.

Argumentamos pela invalidade da data, por não ter nada a ver com Cotia.

No presente estudo, em seqüência do anterior, retomamos a questão dos Bandeirantes, que está na base da proposta que refutamos.

 

1. Raposo Tavares – Estatura de Herói

Falamos, no artigo anterior, sobre Fernão Dias. Aqui damos seqüência ao tema “Bandeirantes”.

Proclamamos que Raposo Tavares é outro gigante da história pátria, pela grandeza de seus feitos e por sua dedicação ao nosso país. Ainda sofre as conseqüências das agressões infames aos seus feitos e as difamações grotescas e sórdidas, com que alguns tentaram ocultar sua obra ímpar e a força do seu caráter e patriotismo. Cita-se o grande e insuspeito historiador Jaime Cortezão para hostilizá-lo. Isto é abominável e até indigno. Isto já parece samba de peru em véspera de natal. Numa leitura apressada, pinçaram um pequeno texto numa grande obra que, como tudo indica, não leram.

Jaime Cortezão foi um pesquisador e estudioso sério da obra de Raposo Tavares, a quem muito admirou. Ao estudá-lo, ficou intrigado por ver os feitos deste bandeirante “envolvido em sombras ejuízos infamantes”. São palavras do historiador. Tais “juízos infames” repetem-se em Cotia e pouco honram os que tal atitude assumem publicamente, ainda que seja por falta de informações. Não se passam ao público informações não estudadas e confirmadas. Já chega de tantas superficialidades e desinformações.

Em vez de difamar, devemos fazer como Jaime Cortezão fez, sem meias palavras: tirar o chapéu para Raposo Tavares. Ele merece. A melhor homenagem é ler Jaime Cortezão por inteiro e não um pequeno texto ora de contexto. Ler sua obra monumental sobre “Raposo Tavares”.

Na palestra que pronunciei, em abril deste ano, na Câmara Municipal, procurei realçar a estatura cívica e moral dos dois Bandeirantes. Talvez esteja na hora de disponibilizar o texto para quem buscar esclarecimentos sobre tão importante tema.

Aos que soltam agressões infamantes contra os Bandeirantes, recomendo a leitura atenta do Poema “Os Bandeirantes” de Batista Cepelos e os livros do historiador Jaime Cortezão, que eles mesmos citam.

Enfaticamente reafirmo o que grandes estudiosos do Brasil já proclamaram: Os nossos bandeirantes, selecionando talvez os três mais realizadores, são heróis da estatura dos maiores “heróis” que a humanidade produziu.

Nem por isto foram unanimidade, como nenhum dos grandes heróis da humanidade são unanimidade na opinião da sociedade. Os detratores sempre existiram.

Todos os grandes realizadores, por maiores que sejam seus méritos e seus feitos, praticam ações polêmicas. Não agradam a todos. Nunca. Não há como agradar aos gregos e aos troianos.

Lembro que, em nosso DNA cultural e até biológico, ainda atuam as forças e a persistência heróica dos bandeirantes. O São Paulo de hoje ainda é um desdobramento do espírito bandeirante que nos impele a agir, superando dificuldades e garantindo nossa dedicação e espírito empreendedor. Os bandeirantes são nossos antepassados, com muito orgulho. Grande parte dos bandeirantes era mestiço – mameluco.

É difícil entender a saga dos bandeirantes com os olhos e as experiências do séc. XX ou XXI. Era uma realidade muito diferente. É preciso estudar para saber falar.

O monumento de Brecheret aos Bandeirantes, no Ibirapuera, mostra bem a força imortal dessa gente que ajudou a fazer São Paulo e o Brasil, e que ainda hoje nos energiza. Os Bandeirantes são o orgulho de nossa gente. Não dá para esquecê-los.

 

2. A Justiça da História os Exalta: Caminhos da Reconciliação

Neste trabalho queremos trazer informações que possam dar luz aos fatos, para quem quiser se informar e pesquisar.

Tentar injuriar e difamar Fernão Dias e Raposo Tavares não passa de uma campanha sórdida de coloração fascista: “satanizar” as pessoas para descartá-las no lixo da história. A estratégia não traz novidade: aqueles, quando querem excluir uma pessoa, primeiro tentam de desqualificá-la. Todos conhecemos bem esses atalhos infames.

Esta é uma campanha inglória da qual as pessoas talvez não se dêem conta. Ninguém neste país será capaz de apagar o rastro luminoso destes homens dedicados, destemidos e vitoriosos. Ninguém calará os feitos dessas pessoas. A mordaça não resistirá à força da justiça. A balança da justiça os exaltará.

Desqualificar os seus próprios antepassados, autores de feitos valorosos, não fica bem a ninguém.

É atitude de pessoas desqualificadas. A notoriedade que podem adquirir num primeiro momento, logo se desfaz em desprezo e ignomínia. “Não passarão”. Não chegarão a lugar nenhum. A força da história é implacável. Não se atiram pedras ao “profetas” impunemente; elas voltarão como bumerangue.

É preciso superar o Maniqueísmo: Entre os humanos, o bem e o mal convivem em cada pessoa.

Num mundo sem fronteiras, precisamos enxergar muito além de onde alcança o nosso braço, o nosso olhar, o nosso olfato ou os limites de nossos preconceitos.

Parece que ainda há “inquisitores” por aí. Querem linchamentos e execuções sumárias?! É preciso dizer-lhes que a inquisição já acabou há séculos. Estão fora de época e fora de moda, pelo menos teoricamente. Estamos numa democracia. Os direitos humanos são para todos... e dever de todos...

No tempo dos “direitos humanos” e dos direitos à própria “imagem”, não podemos continuar na contramão da história e do pensamento atual discriminando pessoas do passado ou do presente. Andar na contramão, ainda que seja por descuido ou inadvertência, expõe-nos a trombadas inevitáveis.

Seja qual for a opinião de cada um, os nossos Grandes Bandeirantes fizeram uma obra imorredoura. No restrito panteão de nossa história, eles têm lugar garantido em destaque.

Se não formos capazes de dar valor aos nossos antepassados, estaremos condenando o nosso país a ser tutelado. Se não tivermos raízes adotaremos as de outros e seremos sempre dependentes. Quem destrói os valores de sua história e suas raízes é patricida. Tem mente pequena.

Todos os povos precisam de heróis, quer sejam guerreiros, aventureiros, professores ou cientistas, profetas, pastores, poetas, cantores ou sambistas. Não precisam de trapaceiros nem de ditadores fascistas.

Para completar destaco: dia 14 de novembro é o “Dia dos Bandeirantes”.

No Museu do Ipiranga, no saguão de entrada, a receber os visitantes, lá estão as estátuas monumentais e gigantescas de Raposo Tavares e Fernão Dias Pais.

Por suas obras valorosas as pessoas se libertam da lei da morte.

3. Por um Debate Democrático

 

Diante disto enviamos, no dia 11 de outubro/2006, uma sugestão ao sr. presidente da Câmara Municipal, como casa do povo e casa das leis, para que se assim o desejar, abra um debate sério entre especialistas e estudiosos do assunto, em alto nível, isento de manifestaçõespolítico-partidárias ou de pressões de qualquer espécie, sem tergiversar e sem descarregar preconceitos.

O debate poderia ser realizado no mês de abril do próximo ano. Teria regras preestabelecidas de comum acordo. Três pessoas de notório saber e honorabilidade, preferencialmente professores da USP ou do IHGSP, poderiam atuar como árbitros e dar parecer final sobre o debate.

Que diferença faz que seja setembro de 1620 ou outubro de 1580?! O respeito à verdade histórica, nada mais. É tudo o que importa. Se não soubermos respeitar os fatos, o que nos resta? Que “cidadãos” seremos? Onde estará nossa dignidade? Creio que todos queremos preservar estes valores.

É balela dizer que o que interessa é a história sócio-antropológica, como se isto modificasse a realidade sócio-cultural de Cotia. Tal afirmação é vazia no nosso contexto. Sofisma não resolve.

 

Vêm-se fazendo afirmações de uma superficialidade espantosa que diríamos irresponsável, se não fosse por falta de informações e de espírito científico. Falta a visão universitária.

O ano em que comemoramos 150 anos de autonomia é uma boa oportunidade para tal debate franco e respeitoso.

Aliás Cotia tem muitas outras questões que deveriam ser esclarecidas, em busca de posicionamento que levante mais a auto-estima de todos, sem artificialismo, sem canibalismo e sem disfarces preconceituosos.

A Câmara Municipal também poderá, se achar necessário, solicitar parecer do departamento de história da USP e/ou do Instituto Histórico e Geográfico e São Paulo, sobre o valor histórico das datas em pauta: outubro de 1580 ou setembro de 1620 e seu real significado para Cotia, à luz dos documentos e dos fatos, diante da argumentação aqui exposta, citando o conflito de opiniões. De preferência enviando os textos das duas partes, expondo os argumentos. Os textos aqui referidos foram publicados em jornal de Cotia.

Acredito, no entanto, que a questão é muito simples, dispensando tais cuidados, desde que as pessoas analisem os fatos com isenção de ânimo e vontade de servir ao Município e saibam se dobrar aos fatos e aos documentos, sem interpretações preconcebidas.

 

4. Caminhos da Reconciliação

Esclareço que a sugestão acima formulada, não é movida por vontade de confronto ou animosidade. É claro, para mim, que as pessoas que defendem posições, neste caso, são pessoas que mutuamente se respeitam e querem bem à cidade. Pressuponho que são pessoas que não querem manipular opiniões. Mas estão desinformadas e equivocadas. Parece que do elefante não conhecem mais que a tromba, por problemas de visão ou de falta de luz.

As pessoas precisam refletir sobre os conhecidos quatro pilares da educação, propostos pela UNESCO: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.

Há caminhos para solução do impasse? Lógico que há. É o caminho da RECONCILIAÇÃO: reconciliar-se primeiro consigo mesmo e depois reconciliar-se com a vida e com o mundo e com os outros. Aí aprenderemos o bem-querer e o bem-estar, sem tropeçar.

Não há novidade no que acabo de escrever. As pessoas que lêem este texto sabem disto muito bem. É só para lembrar.

Para saber viver e conviver é preciso saber olhar a vida com confiança e esperança, com olhos claros, evitando entrar em águas turvas. Todos também sabemos que a letra é precária mas “o espírito vivifica”.

Esta não é uma questão pessoa nem uma disputa política mas uma questão cívica que precisa ser esclarecida. O debate leal de idéias é sempre saudável e estimulante, sem vencedores nem vencidos. Isto é democracia. Vença a cidade e todos nós estaremos vencendo. Manifestar idéias é expor-se.

Mantenho o máximo respeito pelas pessoas que pensam diferente. É preciso ouvir o outro lado, com lealdade. “Amigo de César, mas mais amigo da justiça” diziam os romanos. Isto não é uma questão pessoal, nem pode ser.

 

5. Dever Cívico

De imediato, achamos que seria de bom alvitre tirar do site de Cotia a data de 1580 como sendo referente a Cotia, porque não é. Não há nem hipótese. É uma informação descabida, exposta em veículo “oficial”, indebitamente. Não fica bem para o Município veicular dados, no mínimo, duvidosos.

Por outro lado devemos saber que debalde poderemos querer amordaçar a voz da história. Se o fizermos, até as pedras falarão pelos que silenciamos. Esclarecer e corrigir equívocos é um dever cívico. É questão de justiça e de cidadania paticipativa.

Voltaremos ao assunto, se for necessário trazer a público informações mais detalhadas. Aqui apenas sugerimos a necessidade de não deixar afirmações sem resposta. Aliás precisamos ainda esclarecer e fundamentar histórica e antropologicamente todos os argumentos que aqui apenas alinhavamos, visando fazer contraponto e apontar o argumento “contraditório” da questão em pauta.

Há a hipótese de que talvez a questão vá além do documental e se situe num certo espírito de intolerância que leva a reais fuzilamentos históricos, sem direito a defesa. Não acredito que seja o caso.

Como cidadão brasileiro e cotiano, este é mais um serviço que procuro prestar à minha cidade. Sem nenhum outro interesse, e apenas com minha responsabilidade de professor universitário e Cientista da Linguagem a que me dedico há algumas dezenas de anos.

É conveniente que outros assumam este assunto e o levem adiante. Cada um faça a sua parte.

Será muito bom se outras pessoas se manifestarem, com argumentos claros e fundamentados, numa visão holística e com isenção de ânimos.

Cotia merece este presente de todos nós.

O presente texto, como o anterior (História e Anti-história – I) fazem contraponto com textos publicados pelo jornal “Gazeta de Cotia”, nos últimos anos. Este é um jornal muito dedicado à nossa região. O conhecimento de tais textos dá maior entendimento aos argumentos aqui expostos.