Bandeirantes

1. É muito prazeroso falar sobre a história de Cotia e Região. É uma história de rica e bela, se soubermos olhá-la holisticamente na sua diversidade e na complexidade harmoniosa, na sua totalidade, com olhos e espírito afirmativos.

A história de Cotia é a história do povo que aqui vive com seus sonhos, suas lutas cotidianas pela sobrevivência, seus ideais, suas frustrações e suas esperanças.

Os sonhos comuns criam o povo e a lei: “um por todos e todos por um”. Desfeito o sonho, o povo se desagrega e vem outra lei nefasta: “cada um por si”. É preciso preservar a história, preservar sonhos e ideais.

Estudar a história de Cotia é entender melhor a história do Brasil. É olhar com respeito a terra em que vivemos com seus valores e seus símbolos.

A história de um povo ou de uma cidade é patrimônio e um valor cívico comum a todos os cidadãos.

A História do Brasil passou por Cotia.

Cotia está no caminho do desenvolvimento do Brasil, em seus primórdios. A história de Cotia é uma história geminada, em parte, com a história da Cidade de São Paulo, da qual foi aldeia. Na nossa região atuaram alguns dos maiores benfeitores de nosso país em suas origens, nos tempos heróicos em que tudo começava e tudo era muito difícil.

Cotia tem uma identidade própria e bem marcante que precisa ser descoberta e cultivada.

 

2. A história do Brasil passou por Cotia,

- nos pés descalços dos indígenas do cacique Tibiriçá e do patriarca João Ramalho, de Bartira e de seus descendentes que por aqui viviam em busca do seu bem-estar, pescando, caçando e plantando;

- nas sandálias dos primeiros jesuítas, que a consciência humana e o bem-estar das pessoas cultivavam, a educação ministravam e valores superiores do cristianismo e da civilização pregavam;

- nas mãos calejadas e no suor dos primeiros desbravadores anônimos, brancos, índios e negros, que plantavam e cultivavam nestas terras seus alimentos, trazendo o desenvolvimento;

- nas botinas amarelas dos intrépidos Bandeirantes, que desbravaram o nosso território, defenderam-no e ampliaram-no, criando as bases deste país continental;

- nos cascos das tropas e nos pés descalços dos ágeis tropeiros, de vidas precárias, que o progresso transportavam e novas informações veiculavam;

A história do Brasil passou por aqui,

- na voz firme e decidida de regente Diogo Antônio Feijó, defendendo e construindo a dignidade da nação;

- na caneta e na vida criativa e atribulada de Batista Cepelos, paradigma das gentes de nossa região e cantor dos bandeirantes;

- nos braços e na inteligência de quantos aqui viveram, lutaram e amaram e a estas terras sua vida dedicaram, buscando mais qualidade de vida e bem-estar;

- na ação cotidiana de nossa gente anônima, das três raças de nossas raízes, gente honesta, dedicada e trabalhadora, que há séculos aqui vive, sendo testemunha da história;

A história do Brasil por aqui passou, nos pés, nas mãos, na inteligência, nos corações, no trabalho e na dedicação de muita gente dedicada e generosa, de todos os níveis sócio-culturais.

 

3. Nossa história é obra da cooperação do branco, do índio e do negro que com sua dedicação e inteligência lançaram os sólidos alicerces de nosso desenvolvimento, usando cada um a força de sua cultura, adequadamente articulada dentro de um grande plano estratégico.

Através do tempo, as três raças miscigenadas agiram articuladas, formando um só povo e um só coração, diverso mas solidário.

Cotia, como todo o Brasil, nasceu e se desenvolveu sob os auspícios da diversidade racial e cultural e da miscigenação sócio-cultural, convivendo harmoniosamente. Este é um dos diferenciais que enriquecem o país.

As pessoas buscaram juntos, soluções para as muitas dificuldades de sobrevivência, num tempo de muitas carências, de muita garra e muita esperança. Foi sempre um povo alegre e dinâmico. Quando a tristeza ameaçava se achegar, nossa gente cantava para se alegrar.

As raízes luso-afro-brasileiras são a força orgânica que produziu Cotia, desde seus primórdios. Esta foi a força que impulsionou o imenso projeto dos Bandeirantes.

O europeu trouxe para cá suas conquistas científicas, sua sabedoria multimilenar e sua logística empreendedora e audaciosa e sua vontade indomável de prosperar e criar desenvolvimento e bem-estar.

Generosos, chegaram dispostos a qualquer sacrifício. Do índio e do negro tiveram o suporte do saber, da audácia e da astúcia de quem sabe fazer o feito acontecer.

A conquista de nova civilização, com melhores condições de vida e sobrevivência, sempre foi a conseqüência de muitas tentativas com muitos sucessos e alguns insucessos.

Enfim, “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.

Parafraseando Fernando Pessoa, podemos afirmar: Deus à selva e às matas o perigo e o abismo deu, mas neles escondeu seus segredos e fez desabrochar o verde, a fauna e a flora que nos encantam e alentam nossas vidas.

 

4. Neste trabalho apresentamos uma súmula da História de Cotia e Região.

Analisamos Cotia com o seu contexto histórico e geográfico. A região de Cotia tem uma história compartilhada com seu entorno e com São Paulo.

Cotia e Região têm muita história para contar: histórias de índios, de brancos e de negros; de jesuítas, de bandeirantes, de tropeiros, de boiadeiros, de lenhadores, de ecologistas, de empresários, de artistas, de educadores e de muito mais. São histórias que não acabam mais, para quem pesquisar, ouvir ou contar...

A história bem contada, sem preconceitos, sem deturpações, sem discriminações e sem exclusões, faz bem a todos nós e faz bem às novas gerações.

Os capítulos, aqui apenas alinhavados, dão base para muitos e interessantes estudos.

 

I – VISÃO PANORÂMICA

Espaço dos Bandeirantes

 

Caixa de texto:      Fernão Dias Pais  1.1. Cotia fica praticamente no centro do grande quadrilátero bandeirante formado por São Paulo (ponto de irradiação), Santo Amaro (Zona Sul), Barueri, Osasco, Carapicuíba, Santana do Parnaíba, Araçariguama, São Roque, Ibiúna, Cotia (Zona Oeste), Embu e Itapecerica da Serra (Zona Sudoeste). Está também no espaço das aldeias jesuíticas do século XVI e XVII.

Por aqui passaram os grandes e incansáveis líderes religiosos, Nóbrega, Anchieta, Leonardo Nunes, entre outros abnegados missionários, com destaque para o Padre Belchior Pontes, bem mais tarde. Na atualidade merece destaque o Pe. Miguel Pedroso, venerado pelo nosso povo.

Na origem, toda esta região compartilha de uma vitalidade comum.

 

1.2.O nascedouro do povoado de Cotia deu-se no alto de uma colina, no Caiapiá, na margem esquerda do rio Cotia. Fica a poucos quilômetros de distância de Aldeia de Carapicuíba, na passagem da Trilha dos Tupiniquins, também chamada Caminho de São Tomé ou o Peabiru.

No mesmo local onde estavam as ruínas da primitiva igreja, foi erigida outra, no alto da colina pelo próprio loteador do Condomínio São Fernando, ao fazer o empreendimento no local histórico.

O rio Cotia deu o nome ao povoado e depois à região.

O marco histórico do nascimento do povoado de Cotia foi a inauguração da igreja que Fernão Dias Pais mandou erguer, juntamente com Gaspar Godóy Moreira, dedicada a N.S. do Monte Serrate. Isto ocorreu em 08 de setembro de 1620, dia consagrado à Santa.

Tal região era um ponto de parada e pouso para descanso, por ser um local estratégico. Localizava-se numa colina ao lado do rio. Era mais seguro.

Antes da igreja já existiam ali algumas estruturas de apoio aos viajantes. Aí foi também construído um rancho de sapé para proteger as pessoas das intempéries e para pernoitar. Assim vai sendo consolidada a aldeia de Coty, como então se chamava.

1.3. Em todo o percurso das trilhas de acesso ao interior, principalmente a partir do tropeirismo, havia esta infra-estrutura muito simples de apoio aos transeuntes.

Fernão Dias Pais foi chamado “o Plantador de Cidades” pelo poeta Olavo Bilac. Cotia é uma das primeiras que ele “plantou”.

Na realidade todos os grandes Bandeirantes foram plantadores de cidades pelo Brasil afora.

Caixa de texto:    Igreja N.S. do Monte Serrate

1.4. Oitenta e três anos mais tarde, em 1703, a igreja foi mudada para o alto do morro, cerca de cinco (05) quilômetros mais longe, no local onde hoje se encontra. Marca o centro histórico de Cotia. Consta que a imagem de N.S. de Monte Serrate ainda é a mesma trazida por Fernão Dias. A igreja acompanhou as famílias que aos poucos foram se mudando ara um lugar mais estratégico e mais seguro.

Em carta do Rei de Portugal, datada de 20 de abril de 1703, Fernão Dias Pais é chamado “capitão dos distritos e limites de Cotia-Tamboré e da vila de São Paulo”

 

 

Caixa de texto:    Criança indígena

 

2 – Trilha dos Tupiniquins

A Trilha dos Tupiniquins, ou Peabiru, onde se localizou Cotia, era o rumo para a conquista do Sertão, para Oeste e para o Sul.

O Peabiru era o nome dado a um conjunto de trilhas, com diversas variantes, que se dirigia para o Sul e para o Oeste, indo até ao Peru. Este caminho era também conhecido como trilha dos tupiniquins, do Sumé ou de São Tomé, como preferiam os jesuítas. Ia da baixada santista ao rio da Prata, com bifurcação para o Peru e para o mar.

Cotia ou Coty, no século XVI e XVII, era região habitada por alguns índios guaianás e tupiniquins, ligados à aldeia de Pinheiros, liderados pelo cacique Tibiriçá e seus descendentes.

A região fez parte da Sesmaria do grande Bandeirante Afonso Sardinha, instituída em 1603.

 

3 – O Sertão foi a saída dos Paulistas

3.1. Por nossa região passaram as primeiras bandeiras de Raposo Tavares, Fernão Dias Pais e outros grandes bandeirantes dirigindo-se para o Sul, além da Colônia do Sacramento – Uruguai, onde garantiram para o Brasil os atuais territórios do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Alguns dos principais bandeirantes viveram ou passaram por nossa região.

 

3.2. Os Bandeirantes foram grandes beneméritos do nosso país. Deixando filhos e esposas cuidando de suas roças e de seus filhos, aventuraram-se pelo sertão desconhecido, cheio de perigos, procurando melhores condições de vida. No percurso iam semeando ranchos e pequenos povoados, o germe das futuras cidades do interior de São Paulo, Minas, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, etc, etc.

Por aqui passaram as grandes bandeiras que foram à conquista do Sertão Brasileiro. Buscavam riqueza para garantir o bem-estar do povo de São Paulo que passava uma fase de grandes dificuldades, devido ao isolamento no Planalto e da sede da Capitania que era em S. Vicente. Era muito arriscada a subida e descida pelas escarpas da Serra do Mar. A saída dos paulistas foi o sertão. Tiveram de enfrentar o desafio. Muitos morreram na grande aventura. Outros sobreviveram com sucesso. Para o país valeu a pena. A vida dos que morreram pela grande causa também valeu a pena pela contribuição que deram ao desenvolvimento do país.

 

3.3. A saída dos paulistas foi o sertão, onde foram buscar prosperidade e as condições de sobrevivência e sustentabilidade de suas famílias e de todo o povo do Planalto Paulista.

Os Bandeirantes atendiam ainda às orientações do rei de Portugal que precisava efetivamente descobrir o imenso território do Brasil. O rei D. João IV e D. Pedro II de Portugal estimularam pessoalmente a ação das bandeiras.

Caixa de texto:    Lápide no Mosteiro de S. Bento,  em S. Paulo

Era preciso viabilizar economicamente o desenvolvimento do Brasil, dar condições de sobrevivência aos novos povoadores e tomar posse efetiva de todo o território.

 

3.4. Os maiores de entre os grandes bandeirantes foram Raposo Tavares e Fernão Dias Pais. Este está sepultado no Mosteiro de S. Bento, em S. Paulo.

Caixa de texto:    Palácio dos Bandeirantes

São Paulo homenageia esta gente heróica, dando seu nome a quatro grandes rodovias: Rodovia dos Bandeirantes, Rodovia Fernão Dias, Rodovia Raposo Tavares e Rodovia Anhanguera.

A sede do governo do Estado de São Paulo também homenageia nossos heróis: Palácio dos Bandeirantes. Justa homenagem.

 

4 – Os Grandes Bandeirantes

O grande escultor Brecheret talhou uma obra monumental em homenagem aos Bandeirantes que se encontra exposta no Ibirapuera, na cidade de São Paulo. É uma obra que retrata bem a força e determinação dessa gente.

Aos bandeirantes devemos uma boa parte da obra gigantesca e monumental de criar condições para o grande desenvolvimento de nosso país.

 

 

5 – Defesa do país contra os invasores

 

Caixa de texto:      Raposo Tavares

5.1. Além da conquista do Sertão, expandindo o país, os Bandeirantes ajudaram a garantir e viabilizar a integridade do nosso território, ajudando a expulsar os invasores holandeses, que invadiram Pernambuco, Amazonas, Bahia. Chegaram até Santos, mas foram repelidos.

Caixa de texto:    Igreja do  Sítio do Raposo Tavares

Fernão Dias Pais viveu no Embu e Raposo Tavares, em Quitauna (atual Osasco, ao lado de Barueri). Ao lado expomos a fotografia da capela que foi construída em Quitauna, no mesmo lugar onde se encontrava a capela da fazenda e da casa de Raposo Tavares.

 

5.2. No século XVI e XVII, como hoje, havia diversos caminhos de interligação de toda a região, mormente entre Embu, Cotia, Aldeia da Carapicuíba, Aldeia de Barueri, Quitauna, São Paulo e Santo Amaro.

A obra monumental dos Bandeirantes tornou o Brasil um país viável, com mais bem-estar para o seu povo.

A ação dos Bandeirantes foi decisiva e fundamental para o desenvolvimento de nossa região e do Brasil.

 

6 – Raça de Gigantes

Caixa de texto:    Bandeirante

6.1. Os Bandeirantes merecem nosso respeito e veneração. Era gente corajosa, destemida, audaciosa, intrépida que amava a vida e a sua pátria. Tinham grandeza de caráter.

Fizeram muito “mais do que permitia a força humana”, como diria Camões. Por isso muitos especialistas os consideram uma raça de gigantes: gigantes no caráter, gigantes na estratégia, gigantes no amor à pátria, gigantes na resistência às tragédias que os acometiam, gigantes na audácia. Foram arrojados estrategistas. O seu sucesso é inquestionável.

Cada “Bandeira” era um empreendimento caríssimo. Às vezes precisava de anos de preparação estratégica e técnica. Não havia improvisação. Arriscar seria suicídio. Eram centenas e às vezes milhares de pessoas que precisavam se preparar para sair de suas casas e se embrenharem pelo sertão desconhecido e cheio de ciladas e surpresas e dificuldades e doenças, por muitos meses e até por muitos anos. Era sabido na saída que a maioria dos que saiam não voltariam. Que nesta perigosa empresa muitos perderiam a própria vida. Inúmeros testamentos foram redigidos no sertão, no “leito” da morte.

O sonho de todos os bandeirantes era lutar por uma vida melhor. Mas todos sabiam do risco que corriam. Sabiam que a morte os espreitava em cada esquina da floresta.

 

6.2. Os Bandeirantes fizeram no Sertão o que os navegadores portugueses fizeram pelos mares. A mesma audácia, a mesma bravura e as mesmas tragédias. E “se mais mundos houvera lá chegara...” como afirma Camões.

Poderíamos dizer, parafraseando Camões: se mais sertões houvesse, lá teria chegado a astúcia e a coragem dos bandeirantes.

Faltou um Camões para cantar a grande epopéia dos Bandeirantes. Faltaram informações e sobraram desinformações e desconhecimentos que só viriam à tona posteriormente.

Batista Cepelos ensaiou cantar a epopéia dos Bandeirantes na obra “Os Bandeirantes” (1908). O mesmo fez Olavo Bilac, posteriormente, com o Poema “O Caçador de Esmeraldas”.

No séc. XVII (1689), Diogo Grassou Tinoco escreveu um longo poema sobre os Bandeirantes, tendo como herói o “Caçador de Esmeraldas”, Fernão Dias. Desta obra épica, hoje desaparecida, só se conhecem algumas estâncias citadas por Cláudio Manuel da Costa.

Não há ainda nenhuma epopéia na literatura moderna à altura dos feitos dos Bandeirantes. Mas um dia o poeta dos bandeirantes se manifestará. Então nossos heróis ressurgirão em toda a glória que muitos, inutilmente, lhes quiseram usurpar.

 

6.3. Os Bandeirantes destacam-se por sua dedicação ao seu país e ao seu povo. São nossos genuínos antepassados. Poucos países têm homens da têmpera desses intrépidos desbravadores dos sertões e semeadores de cidades e de progresso.

Apesar disto, a história dos bandeirantes vem sendo muito mal contada e até deturpada por alguns, nos últimos tempos. No entanto hoje dispomos de vasta bibliografia sobre o assunto.

Alguns, mal informados ou mal intencionados, talvez hipócritas, maldizem os Bandeirantes. De fato estes, apesar da grandeza descomunal de seus feitos, tiveram muitos detratores, muitos caluniadores. E ainda têm. Há muita má fé ou desinformação na guerra suja, inglória, inútil e injusta que alguns mantêm contra os Bandeirantes. Isto é vergonhoso: o desrespeito à memória dos Bandeirantes é uma mancha negra deplorável que precisa ser limpa, para honra do país e das novas gerações.

No nosso tempo não é mais aceitável tanta injúria, tanto preconceito e tanta discriminação. Muitos que se proclamam defensores da justiça e da discriminação, injuriam e caluniam nossos antepassados denegrindo a nossa história, sob os aplausos e as risadas torpes dos incautos. Não temos direito de injuriar quem não mais está aqui para se defender. Em nome de que interesses se fazem tais ofensas?! Há pessoas que repetem calúnias surradas sem se envergonharem da traição que propagam, ofendendo gravemente seu próprio país, ao ofenderem e desonrarem a memória de seus benfeitores.

 

6.4. É preciso limpar esta grande hipocrisia que se propaga sorrateira, talvez como biombo para esconder outras mazelas. Os bandeirantes eram grandes e nobres empreendedores, dentro do espírito e das leis que vigoravam em sua época.

Não pode ser julgado crime o que obedece às leis do seu tempo. As leis são mutáveis para se adequar à mudança dos tempos e dos costumes.

Rudes? Certamente foram. Com pó de arroz e tapinhas nas costas não teriam chegado a lugar nenhum!

Eram também guerreiros quando necessário, a serviço de seu país e de seu povo. Diletantes é que nunca foram.

Antes de tudo, trair os bandeirantes é trair o país e as novas gerações.

É sabido que a maioria dos grandes seres humanos, através da história, foram ofendidos em vida... Mas a glória que conquistaram ninguém pode roubar-lha. Nossa nação tem uma dívida eterna para com os bandeirantes.

 

6.5. Os bandeirantes estão fazendo muita falta nas lições de nossos professores e na educação de nossos jovens.

A grande lição dos Bandeirantes é a persistência, a coragem, a dignidade e o amor à própria terra. Dizer o contrário é fraudar a verdade dos fatos, por desconhecimento ou por má fé.

Caixa de texto:    Morte de Fernão Dias na selva  – Região do Rio das Velhas –

Os bandeirantes foram os homens destemidos que no século XVII mais fizeram por este país, garantindo as condições necessárias ao seu desenvolvimento.

 

A descoberta das minas de ouro foi ação dos Bandeirantes. O ouro garantiu a sustentabilidade do país.

Grande parte dos Bandeirantes deu a vida, nessa arriscada e difícil missão. Impuseram às suas famílias, esposas e filhos, pesado ônus de tocarem as lavouras sem o seu apoio.

Em cada “bandeira”, a maioria dos que partiam não voltava. Investiram todas as suas posses nesse arriscado e audacioso empreendimento. Cada “bandeira” era conseqüência de um grande investimento econômico.

 

6.6. Com a ação e a audácia dos bandeirantes, o Brasil ficou muito maior, muito mais belo, mais rico e próspero.

Foi garantido pelos Bandeirantes o espaço vital de que o país precisa para construir seu desenvolvimento e o bem-estar se deu povo.

Neste espaço pode ainda acolher pessoas de todos os povos da terra que aqui viveram e prosperaram com suas famílias e sua descendência multiplicaram.

Para isto é preciso que cada líder sócio-político, empresarial e até educacional seja digno da obra dos Bandeirantes.

 

II – OS PIONEIROS DE COTIA E REGIÃO

A seguir destacamos grupos e pessoas que se destacaram em grandes empreendimentos e tiveram suas vidas ligadas ao desenvolvimento de Cotia e Região.

Durante muito tempo esta região é caracterizada como o sertão de Carapicuíba ou sertão de Itapecerica. Cotia também chegou a designar quase toda esta região do oeste paulista. Posteriormente foi desmembrada em novas vilas e municípios.

Cotia, originalmente fazia parte integrante da vida e da cidade de São Paulo.

A freguesia de Cotia foi desmembrada de São Paulo em 02 de abril de 1856 (Lei nº 7 de 02.04.1856).

A São Paulo moderna e cristã, como Cotia, no seu nascedouro, inserida na grande e multimilenar civilização ocidental, é obra de João Ramalho, Tibiriçá e Martim Afonso de Sousa e seu liderados e dos jesuítas. Depois seguem-se os Bandeirantes e os Tropeiros, e outros mais, formando um majestoso painel histórico.

 

1 – TIBIRIÇÁ, os Tupiniquins e os Guaianás

1.1.Caixa de texto:    Tibiriçá

Os pioneiros do povoamento de Cotia no nosso tempo histórico, foram os índios tupiniquins e os guaianás. Estes índios eram liderados por Tibiriçá, cacique de Piratininga, depois São Paulo de Piratininga e de Santo André da Borda do Campo. Não podemos esquecer de Caiubi e Pequerubi de entre outros que fizeram história.

Esta tribo foi a grande aliada de João Ramalho, casado com Bartira, filha do cacique Tibiriçá.

Os guaianás, e o povo Tupiniquim, foram os fiéis e enérgicos aliados dos portugueses e dos Padres Jesuítas. Foram eles que garantiram a sobrevivência e o sucesso da civilização européia, conjuminada com a indígena. Eles fizeram sua parte para dar origem à nova civilização dos trópicos: a civilização brasileira multicultural.

 

1.2. Não foi fácil a aliança dos portugueses com os Tupiniquins. Estes eram inimigos dos Tamoios, que também eram inimigos dos portugueses. Em 1555 os franceses invadiram o Rio de Janeiro e se aliaram aos Tamoios contra os portugueses.

Em 1562 (10 de julho), o Tamoios invadiram a vila de São Paulo. Foi uma luta dramática. A defesa da vila foi feita por João Ramalho e Tibiriçá, ajudados por tribos de índios vizinhos e colonos do litoral sob o comando de Brás Cubas.

Após grandes ataques e muitas mortes, índios e portugueses garantiram a defesa do povoado.

A guerra terminou com o compromisso entre brancos e tamoios, com a visita e compromisso pessoal de Nóbrega e de Anchieta.

 

1.3. Dos descendentes de portugueses e índias Tupiniquins e Guaianás (que afinal era uma única família tupi-guarani), nasceram os fortes e arrojados mamelucos. Estes mais tarde, no início do séc. XVII, integraram a epopéia bandeirante que deu novas dimensões ao Brasil e deu condições econômicas para o desenvolvimento do país.

Entre os grandes pioneiros e patriarcas de Cotia e região devemos lembrar os índios, capitaneados por Tibiriçá.

Este é considerado patriarca da Cidade de São Paulo, ao lado de João Ramalho. Seu túmulo está na cripta da Catedral da Sé de São Paulo.

Tibiriçá e seus aliados indígenas viabilizaram o desenvolvimento de São Paulo, no seu nascedouro.

 

 2 – JOÃO RAMALHO

Caixa de texto:    João Ramalho

João Ramalho, o português que por aqui aportou na década de 20 do séc. XVI, fez amizades sólidas com os tupiniquins e guaianás liderados por Tibiriçá e outros. Casou com a filha deste, Bartira, e palmilhou todas estas terras até Mogi das Cruzes e baixada santista. Consta que teve mais de 400 (quatrocentos) filhos com mulheres indígenas, como era tradição no tempo, dando origem a um novo povo, os mamelucos, um povo miscigenado e aguerrido.

João Ramalho trouxe a cultura européia que articulou harmoniosamente com a cultura indígena. Na medida do possível manteve a paz, a harmonia e a prosperidade entre as diversas tribos da região.

Quando aqui chegou Martim Afonso, em 1533, João Ramalho foi o seu guia e protetor, junto com os seus amigos e familiares do povo tupiniquim de Tibiriçá e Caiubi.

 

Caixa de texto:    Missionário Jesuíta

Sem a atuação decisiva e valente de João Ramalho, dos índios de Tibiriçá, Caiubi e de Piquerobi e dos mamelucos, São Paulo certamente não teria conseguido resistir aos violentos ataques guerreiros dos Tamoios e dos Carijós. Talvez tivesse submergido derrotado.

Quando chegaram os jesuítas, na década de 50, João Ramalho foi seu guia e protetor, contando com pleno apoio dos guaianás/ tupiniquins.

Em São Paulo, como em Cotia e em toda a região, João Ramalho deve ser respeitado como um grande herói pacificador e agente do progresso e do bem-estar destes povos.

João Ramalho é um incontestável pioneiro e patriarca da nova nação.

 

3 – NÓBREGA e ANCHIETA

Caixa de texto:    Nóbrega

Caixa de texto:    Anchieta

Os jesuítas, capitaneados pelo Pe. Manuel da Nóbrega e posteriormente por José de Anchieta são outros monumentais pioneiros do desenvolvimento de São Paulo e de todo o seu entorno, incluindo Cotia. Por Cotia passavam no seu trabalho educativo, apostólico e humanitário entre as aldeias de Embu, Barueri, Pátio do Colégio e Santo Amaro, onde centralizavam suas atividades.

Nóbrega, João Ramalho, Tibiriçá e Bartira, Anchieta, Leonardo Nunes, entre outros, grandes e eficientes agentes do desenvolvimento de São Paulo e seu entorno.

Por criarem entraves à ação dos bandeirantes, os jesuítas foram expulsos de São Paulo, em 1640 e voltaram em 1653. Cem anos mais tarde foram expulsos do país. Isto não lhe tira seus méritos.

 

4 – OS BANDEIRANTES

 

Caixa de texto:    Bandeirante

No início do séc. XVII surgem os Bandeirantes que nesta região oeste se concentraram para seus projetos originais de fazerem grandes e difíceis incursões ao sul, ao oeste e do norte. Queriam garantir o território e buscar índios e riquezas que garantissem o desenvolvimento, a prosperidade e o bem-estar de seu povo de São Paulo.

Ao chegar às Missões do Sul, implantadas em território brasileiro, Raposo Tavares ordena aos castelhanos:

“Saiam daqui. Esta terra é nossa”.

Esta frase foi falada na língua tupi:

Coivê oré retama”.

Caixa de texto:

É a frase do escudo do 4º BIL de Quitauna – Quartel Raposo Tavares.

Os Bandeirantes, capitaneados por portugueses ou seus descendentes e mamelucos, só puderam ser viabilizados com a solidariedade e atuação dos descendentes de João Ramalho com mulheres indígenas – os mamelucos – e com os próprios índios que entraram neste monumental empreendimento com dedicação total.

Em São Paulo e em nossa região os grandes pioneiros desta fase do bandeirismo foram Fernão Dias Pais, “plantador de cidades” e fundador de Cotia, e Antônio Raposo Tavares.

Tivemos inúmeros outros grandes bandeirantes. Não cabe aqui nomeá-los.

 

5 – TROPAS e TROPEIROS

Caixa de texto:    Rancho de Tropeiros

5.1. Após a epopéia dos bandeirantes, já no final do séc. XVII e início do séc. XVIII, com a descoberta das minas, é a vez dos Tropeiros.

Caixa de texto:    Tropa de Muares

Os tropeiros garantiam o abastecimento das povoações das minas e do interior e transportavam a produção das fazendas do interior e os minerais para o porto de Santos ou para as cidades de São Paulo e da Baixada Santista.

O grande meio de transporte eram as tropas de muares. O meio alternativo era o carro de boi, muito difícil devido à precariedade dos caminhos.

Não existiam estradas boas. O transporte a motor, por caminhão, só chega ao longo do séc. XX.

Os Tropeiros transportavam também o açúcar e depois o café, para o Porto de Santos.

Além de transporte de mercadorias, os tropeiros levavam notícias de ponto a ponto, por onde passavam. Além de serem grandes contadores de “causos”.

 

5.2. A estrada de Ferro São Paulo – Sorocaba é inaugurada em 1875, dando início à decadência da ação dos tropeiros.

O tropeiro foi uma instituição que merece todo o nosso respeito. Foram os transportadores do progresso. Ajudaram a alavancar o progresso do país e de Cotia. Do Sul e do Oeste, passavam por nossa região, por diversos caminhos e não só por Cotia.

Cotia é também terra de tropas e de tropeiros.

Os tropeiros, como instituição, também tiveram atuação pioneira no desenvolvimento de Cotia e região. Têm um espaço especial nas páginas de nossa história.

Na altura do bairro do Portão havia um rancho para descanso das pessoas e dos animais. Havia aí também um ferrador de animais para proteger seus cascos antes de prosseguir viagem.

 

6 – BOIADAS E DOADEIROS

Caixa de texto:    Boiada

6.1. Outro fator de progresso de Cotia foi a passagem das boiadas.

 

Caixa de texto:    Feira do Gado

Provenientes da Feira do Gado de Sorocaba, as boiadas e muares passavam por nossa região, dirigindo-se para São Paulo e depois para o interior, inclusive Minas Gerais, Piauí e para o Nordeste, etc.

A Feira de Sorocaba teve início por volta de 1750.

As boiadas passavam também por Cotia. No seu tempo foram agentes decisivos para o progresso da vila e de toda a região.

Para as boiadas como para os tropeiros, havia rancho de descanso no km 32, região do bairro do Portão e no km 39 da Raposo Tavares. No Caiapiá (Sítio do Mandu), também foi pouso de tropas.

 

6.2. Os tropeiros e as boiadas deram novo alento ao desenvolvimento de Cotia e Região, atraindo comércio e serviços.

Cotia viveu mais um tempo de prosperidade.

A Feira de Gado de Sorocaba inicia sua decadência após a inauguração da Estrada de Ferro em 1875. A passagem do gado e tropas prossegue ainda por mais trinta anos, embora em dimensões reduzidas.

 

7 – O LENHADOR - LENHA PARA O PROGRESSO

Caixa de texto:    Transporte de lenha

A região foi grande fornecedora de lenha para movimentar as locomotivas a Estrada de Ferro, tocadas a vapor.

A lenha era usada também para tocar a indústria nascente de São Paulo. Sem lenha não teria havido a industrialização e o progresso de São Paulo não teria sido alavancado.

Por outro lado, até o primeiro quarto do séc. XX, a lenha era a única forma de fazer fogo para cozinhar os alimentos das famílias e para aquecer as casas.

Cotia e região, também neste quesito, deu grande contributo ao desenvolvimento de São Paulo.

O comércio de lenha trouxe progresso para Cotia e para São Paulo.

 

8 – AGRICULTURA

8.1. Na primeira metade do séc. XX, predominaram as atividades agrícolas. Cotia e região foi grande produtor de horti-fruti-granjeiros.

No entanto a vocação agrícola de Cotia e Região manifestou-se desde o séc. XVI.

Cotia faz parte do cinturão verde que abastece São Paulo e garante a subsistência de seus moradores.

Grande parte dos habitantes de São Paulo, desde o século XVI até o século XX tiravam seu sustento dos sítios e das fazendas que cultivavam durante a semana em Cotia, Ibiúna, Carapicuíba, São Roque, Parnaíba, Araçariguama, Barueri, Butantã, Santo Amaro, etc, etc. Só no final de semana vinham para a Cidade (São Paulo).

Cotia e Região é um espaço muito rico culturalmente. Aqui, como em outras regiões, desenvolveu-se a cultura caipira, com alimentação, danças e cantorias típicas.

Caixa de texto:    Casa bandeirista – Sítio do Pe. Inácio - Cotia

As casas bandeiristas que hoje enriquecem o patrimônio histórico de Cotia e região, como o “Sítio do Pe. Inácio”, o “Sítio do Mandu”, etc, são reminiscência desses difíceis tempos. Neste tempo foram forjados os alicerces da grande expansão de nossos dias.

 

8.2. No último quartel do século XIX Cotia teve significativo desenvolvimento. Em 1874, depois de São Paulo, com 47.697 habitantes e Mogi das Cruzes, com 19.454, Cotia é o terceiro município mais populoso de São Paulo e arredores, com 7.517 habitantes.

Neste ano de 1874 Cotia tinha 7.517 habitantes (98,1%), dos quais, 144 (1,9%) eram escravos. Estávamos a poucos anos da abolição da escravatura.

A agricultura começou a ser mecanizada na década de 30 (séc. XX) quando a tração animal começou a ser substituída. Dos 17.283 animais de tração (bovinos, eqüinos e muares) em 1934, passamos para 1.141 em 1940.

A agricultura ajudava a abastecer o mercado de São Paulo. Aliás ainda exerce essa atividade. A agricultura ainda é fonte de vida e riqueza em Cotia. Precisamos preservá-la e dela tirar proveito para nossa cultura e bem-estar.

 

8.3. No séc. XX, além dos naturais da região, outros povos ajudaram a desenvolver definitivamente a região.

Caixa de texto:

O povo que mais se destacou em Cotia foi sempre o que lhe deu origem. Assim, em 1886 Cotia tinha 7.428 habitantes, sendo 98,8% naturais do lugar e apenas 1,2% estrangeiros.

Em 1940 havia 107 italianos, 817 portugueses, 43 espanhóis, 133 japoneses, 47 alemães e 138 de outras nacionalidades. Cotia começava a ser cosmopolita, com 1.285 estrangeiros.

Os povos que mais se destacavam em Cotia, em 1940, foram os portugueses, os italianos, os espanhóis, os japoneses e os alemães.

Marco da fundação da CAC, no Moinho Velho

 

A partir de 1827, por influência da Imperatriz Leopoldina, são criadas condições para a vinda de alemães para Itapecerica e Santo Amaro.

Em 1890 houve a primeira tentativa de trazer italianos para o Embu.

Em 1913 chegaram a Cotia os primeiros japoneses que, em 1927 fundaram a CAC – Cooperativa Agrícola de Cotia. Esta veio a ser um modelo de ação cooperativa no país. Ajudou a alavancar a produção agrícola da região.

Pressupomos que date de 1927, data da inauguração da Estrada do Paraná, atual Raposo Tavares, a criação de uma estátua ao Agricultor. Com a duplicação da Rodovia a Estátua foi retirada. É preciso que seja restaurada e devolvida ao espaço público.

 

9 – O CINTURÃO CAIPIRA

Cotia faz parte do Cinturão Caipira de São Paulo.

O caipira e o povo em geral preservam toda uma tradição rica e multissecular de cultura: a fala, as crenças, as festas populares, a cantoria, a alimentação com suas receitas típicas, etc.

O caipira representa um passado de grande riqueza que a modernidade pasteurizada vai abolindo. Precisamos valorizar o que de melhor contém a cultura caipira. Precisamos preservar o que resta desta cultura.

Estudar a cultura caipira é uma forma de garantir a nossa identidade.

Ainda há por aqui significativas manifestações desta rica cultura que precisamos preservar. Faz parte de nossa identidade histórica.

 

10 – FASE TECNOLÓGICA MODERNA

Na segunda metade do século XX, Cotia iniciou sua fase contemporânea de empreendimentos tecnológicos, garantindo o meio ambiente. São as novas indústrias, comércio e serviços.

Melhoram-se as estrada, estende-se a luz elétrica, telefonia, etc.

Hoje o Município sedia um número significativo de pequenas, médias e grandes empresas que vieram criar mais postos de trabalho e mais desenvolvimento econômico, técnico e humano e trazer mais impostos para a municipalidade.

Ao lado do moderno parque industrial desenvolveu-se também um comércio dinâmico e uma grande gama de empresas de serviços.

Hoje Cotia é um município moderno e próspero. À parte isto, mantém aproximadamente 20% do seu território com espaço natural preservado. Neste item destaca-se a Reserva Florestal do Morro Grande.

Cotia vai se tornando um parque universitário, a partir da instalação da EUROPAN, com educação de qualidade e excelência.

 

 11 – EDUCAÇÃO

Com a Fase Tecnológica Moderna vieram novas exigências. Entramos na Era do Conhecimento.

A sociedade tornou-se mais complexa.

A educação tornou-se uma exigência de primeira necessidade.

A partir da década de sessenta foi feito um grande esforço para dar escola fundamental para todos. Hoje já se procura dar Ensino Médio para todos. Chegaram então as Instituições de Nível Superior.

Hoje, sem dúvida, Cotia sedia uma das melhores Instituições de Ensino Superior do Oeste Paulista, a EUROPAN.

 

12 – MONUMENTOS AOS NOSSOS PIONEIROS

Sintetizando: podemos afirmar categoricamente que Cotia e Região têm uma dívida eterna com uma multidão de pessoas anônimas que criaram condições para estas terras e estas vilas e cidades se desenvolverem.

Tais pessoas podem ser representadas por seus líderes que foram abrindo novos espaços e viabilizando o progresso, à custa de muito trabalho e generosidade.

Se tivéssemos de fazer um monumento justo aos grandes pioneiros do desenvolvimento de Cotia e Região, dele deveriam constar:

  • Tibiriçá, Bartira e Caiubi : os grandes avalistas do novo tempo;
  • João Ramalho: o grande patriarca da civilização paulista;
  • Nóbrega e Anchieta: dois gigantes de humanismo. Pugnaram pela harmonia e bem-estar das pessoas da região, índios e brancos. Cada um a seu tempo, lideraram as atividades jesuíticas no alvorecer do Brasil;
  • Os Bandeirantes: Raposo Tavares e Fernão Dias Pais, gigantes de audácia e dedicação ao Brasil;
  • Tropas e Tropeiros: Pessoas anônimas e incansáveis, com os muares, que fizeram a ponte entre a produção e o consumo, alavancando o desenvolvimento do interior e da cidade. Foram ainda eficientes veículos de informação entre a cidade e o sertão e vice-versa;
  • Boiadeiros e boiadas: Os boiadeiros por aqui passando transportando boiadas para os mais longínquos rincões do Brasil, ajudaram a desenvolver Cotia e Região;
  • O Agricultor: A agricultura foi um dos pólos mais fortes do desenvolvimento de Cotia. Ajudou a povoar o Município e a consolidar a povoação;
  • O Caipira: Símbolo do homem do campo, brasileiro típico, simples, honesto e dedicado;
  • O Lenhador: viabilizou a locomotiva a vapor e a indústria nascente, fornecendo-lhes a energia possível. Forneceu lenha para cozinhar os alimentos e esquentar os lares domésticos, garantindo a sobrevivência e a prosperidade das famílias;
  • O Empreendedor da época contemporânea, a partir da segunda metade do século XX, na indústria, comércio e serviços;
  • Em síntese: Brancos, índios e negros, miscigenados física ou culturalmente, homens e mulheres, os jesuítas, os bandeirantes, tropas e tropeiros, boiadas e boiadeiros, o agricultor, o caipira e o lenhador, o empreendedor e o educador moderno, todos deveriam fazer deste grande momento a história de Cotia, em prosa, em verso ou em granito;
  • Grandes Personagens do séc. XX:
    • Diogo Antônio Feijó
    • Batista Cepelos

 

III - PERSONAGENS DE DESTAQUE

NO SÉC XIX e XX

 Caixa de texto:    Antônio Feijó

1. Diogo Antônio Feijó

Caixa de texto:    Batista Cepelos

Cotia tem presença forte na história do Brasil. Aqui nasceu e se criou Diogo Antônio Feijó, uma das grandes figuras do Império e Senador. Feijó foi um grande e competente líder político e social. Teve atuação decisiva no governo do Império e na Regência.

 

2.Batista Cepelos, o Maneco, é outra figura de destaque nacional, nascido e criado aqui. Foi considerado um grande poeta. Foi imortalizado pelo poema “Os Bandeirantes”.

 

IV – PATRIMÔNIO NATURAL

Cotia e região desfrutam de um grande patrimônio natural, com destaque para a “Reserva do Morro Grande” e o CEMUCAM.

Cotia, enfim, é uma Cidade da Grande São Paulo que desfruta de uma rica história. Tem raízes humanas fortes e sadias. Tem uma rica natureza e um povo cheios de belas tradições populares.

Cotia situa-se e faz parte de um dos eixos básicos que contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do país, do século XVI ao século XIX.

 

V – COTIA NA ATUALIDADE

 

Em 1922 foi inaugurada a rodovia São Paulo – Paraná, depois chamada Rodovia Raposo Tavares, que marcou uma nova fase de desenvolvimento de Cotia. Em 1979 é duplicada a Rodovia até o km 31.

Em 1951 é implantado o loteamento “Granja Viana”. Por muito tempo a Granja ainda manteve sua característica rural. Virou chácaras de final de semana.

A partir da década de 60/70, Cotia teve desenvolvimento acelerado. Aprovou seu Plano Diretor. Veio a fase industrial. Cotia recebeu indústrias modernas e não poluidoras e outras grandes e médias empresas. Recebeu o exuberante comércio e empresas de serviços.

Foram implantados os condomínios fechados.

Em 2002 foi inaugurado o elo oeste do Rodoanel, interligando a Raposo Tavares às principais rodovias da região: Régis Bittencourt, Castelo Branco, Anhanguera e Bandeirantes.

Em 2006 a rodovia foi duplicada muito além do município de Cotia.

Hoje, Cotia é um município moderno e próspero. Uma das marcas de sua grandeza e prosperidade é a presença e expansão de uma instituição universitária moderna e dinâmica, marcada pela alta qualidade e excelência de sua atuação, a Faculdade EUROPAN.

 

VI – VIVENCIANDO NOSSA HISTÓRIA

A sociedade e os educadores precisam saber tirar vantagens das riquezas de nossa história. Isto é o que se faz, em todo mundo civilizado. Porque nós não tiramos partido de uma história tão rica para levar mais valia à educação das novas gerações? Quem não tem história não tem futuro. Cotia tem porque se honrar de sua história. Quem não tem passado é tutelado. Cotia tem passado.

Cotia e todo seu entorno tem história, tem raízes de grande excelência. Temos histórias de ações de valor para contar aos nossos filhos e comunicar-lhes o orgulho de ser brasileiro. Assim eles poderão fazer sua parte por um país melhor, com mais justiça e paz e com mais desenvolvimento, prosperidade e solidariedade.

 

VII - DESTAQUES CULTURAIS E RELIGIOSOS

Cotia e região são espaços privilegiados em espaços religiosos.

1 – Igreja Matriz de N.S. Monte Serrate

Capela das Casas Bandeiristas

Igreja do Embu

2 – Convento das Carmelitas

3 – Templo Zu-Lai

 

Cultura: EUROPAN

Pro. Dr José Jorge Peralta

Os dados estatísticos deste capítulo encontram-se em Memória Urbana – A Grande São Paulo até 1940 – vol.2 - Arquivo do Estado – Emplasa – São Paulo, 2001.